O chutão de Fábio, e o jogo com os pés

 "O goleiro hoje, tem que saber jogar com os pés". Essa frase é quase um mantra, e o Fluminense de Fernando Diniz, é um dos times que mais usa seu goleiro para iniciar as jogadas. O tricolor carioca, tem o experiente Fábio, defendendo sua meta. Atleta de reconhecida qualidade e muita experiência, é uma verdadeira referência para qualquer jovem que sonhe em um dia fazer sucesso na posição. 

A mudança do Cruzeiro, onde é um líder histórico, para o Fluminense, não deve ter sido nada fácil. Primeiro pela maneira que se deu (dispensado da raposa), segundo pela chocante mudança das demandas que a ele seriam requisitadas. É verdade, que ao chegar ao Rio, Fábio encontrou Abel Braga, um comandante com ideias mais tradicionais, e que não defende tanto essa necessidade excessiva do arqueiro estar sempre iniciando as jogadas. Porém alguns meses depois, Abel não resistiu e Diniz chegou. 

Não preciso discorrer sobre como funciona o dinizismo, saída de bola pelo chão, mesmo com o adversário sufocando. Fábio é da velha guarda. Em sua época de formação, essa história de jogar com os pés sob quaisquer circunstâncias não existia. Ele foi educado sob aquela velha escrita: "Bola para o mato por que o jogo é de campeonato". 

Mudar drasticamente um aspecto tão vital em seu jogo, é difícil para um jogador de qualquer idade. Imaginem para alguém que já passou dos 40? Ai entra o mérito total dele, que não só topou a mudança, como se adaptou rapidamente. Afinal, o que é preciso para um goleiro conseguir ser efetivo jogando com os pés? Mais do que uma super condição técnica, é necessário muito treinamento na parte tática, que é um fator preponderante para que se tenha sucesso.

Com a bola nos pés, o goleiro é como qualquer jogador de linha. Ele precisa que seus companheiros tenham movimentos coordenados que gerem linhas de passe. Se isso não acontecer, você pode ter até o Neuer no gol, que ele será obrigado a dar chutões. Toda premissa do técnico Fernando Diniz se baseia justamente nessas saídas de bola, que bem treinadas fizeram com que Fábio, rapidamente se adaptasse a seu novo estilo de jogo. 

Porém, no jogo de hoje, pela Copa do Brasil, contra o Corinthains, a coisa não funcionou. Com uma marcação pressão bem executada, o Timão cortou todas as linhas de passe treinadas pelo Fluzão. Não sei se faltou um plano B, ou se os jogadores de linha se entregaram muito fácil a marcação. O fato é que Fábio, quase sempre, se via sem opção. 

No lance do primeiro gol, esteve absolutamente contra as cordas, sendo obrigado a dar um chutão de qualquer maneira. A bola foi rapidamente devolvida e antes que se posicionasse novamente, Fábio foi surpreendido com um chute perfeito. 

Esse foi o lance que me inspirou a falar um pouco sobre como se dá o jogo com os pés. Mais de 90% do sucesso dos goleiro que são aclamados por esse quesito, se dá pelo sistema de jogo, e não por uma qualidade natural. É claro que alguns goleiros se destacam mais, como Alison, Ederson, Ter Stegen, que quando muito pressionados, tem um lançamento longo muito preciso, o que desafoga o time. Mas hoje em dia qualquer goleiro pode conseguir jogar com os pés de forma minimamente efetiva, caso tenha um sistema que o favoreça. 

(Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC)



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